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24 de junho: São João Batista é Xangô no sincretismo afro-brasileiro
24/06/2010 - 18h20 (Ocimar Barbosa)
Imagem(s): Ilustração

A origem da fogueira no dia 24 de junho, dedicado à São João Batista, é atribuída a um  trato entre duas primas. Isabel, grávida, teria combinado com Maria (que viria a ser mãe de Jesus) que quando chegasse a hora do parto, acenderia uma fogueira no alto de um monte. Assim, poderia receber o auxílio da prima.

Outras teorias supõem uma origem pagã na tradição da fogueira. Conhecida na idade Média, a fogueira do dia de "Midsummer" coincidia com o dia de São João Batista. Dessa forma, o sincretismo se propagou pelos países europeus. As festas e danças vieram, portanto, dos festejos pagãos e foram incorporados pela cristandade.
Portugal trouxe o costume para o Brasil.

Filho de Isabel e Zacarias, um sacerdote, João Batista tinha a firmeza de caráter e é tido como o 'anunciador'. Pode ser considerado o primeiro publicitário da história.

Na cultura dos negros

Por ser justo, São João Batista foi sincretizado também com a cultura afro-brasileira. Os escravos que vinham para o Brasil o adotaram como sendo a representação de Xangô, orixá da Justiça e da Lei.

Xangô é protetor dos que sofrem injustiças, é Senhor Chefe das Falanges do Oriente. Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.

Tido como o orixá mais venerado e respeitado no Brasil, é a pedra fundamental da obra, é o poder da iniciativa, é padroeiro dos juízes, delegados e advogados do bem. Representa o rei justo que sabe administrar, mas que tem o poder da decisão e do equilíbrio da natureza. Assim, quando os céus mandam seus trovões e as hecatombes destroem os lugarejos, diz-se que Xangô está irado e vem julgar as ações humanas.

Orixá do fogo. É simbolizado pelo machado de dois gumes e representado por um rei ao sentado sobre a pedra da lei. Do seu lado dorme um leão, o guardião da justiça.

Diz a lenda que o reino de Xangô foi invadido por uma horda de guerreiros e a derrota era iminente. Xangô teria que entregar sua coroa aos inimigos. Foi então que procurou Orunmilá que o aconselhou a subir em uma pedreira e aguardar iluminação.

Xangô foi até o local, e de repente, tomado por extrema fúria, começou a bater em uma rocha com seu machado de duas lâminas (oxê), ato que fez desprender fagulhas de fogo sobre os inimigos.
Apavorados, os rivais se entregaram a Xangô, que os perdoou e os aceitou como súditos do reino.

"Todo conteúdo dessa coluna é de inteira responsabilidade do autor".
 


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